Amparo reserva para todos seus habitantes um passado glorioso. Os personagens e fatos de outrora são muito ricos.
Atendendo um convite muito gentil da Eliana Dagmar, passo a colaborar com seu jornal eletrônico, através do livro “DIÁRIO DE UMA CIDADE CONQUISTADA”, de autoria do grande escritor, jornalista, empresário e esportista João José Jorge.
O texto do livro será transformado em uma novela que relata o dia a dia do mês de setembro de 1932, quando Amparo foi invadida pelas tropas do governo de Getúlio Vargas. O relato é de uma pessoa - João Jorge - que viveu aquele período. Em capítulos semanais, acompanhe nesta coluna a história verdadeira e emocionante que narra, segundo João Jorge, “o maior movimento cívico jamais visto no Brasil.”
Afinal!
A guerra neste setor.
Primeira escaramuça em Brumado. Fugitivos das fazendas relatam o sucedido, pintando tudo em cores negras. Intenso movimento de soldados. Os paulistas estão recuando. Soldados do Batalhão de Justiça, do Batalhão 23 de Maio, do Batalhão do Braz, agora que a guerra chegou de farto, já não são os mesmos. Guerra não só carinho e bom passadio. Não é só ter flor na abotoadura e uma pomba alva pousada no ombro. Tentam fugir soldados do Batalhão do Braz. Assim aconteceu em Pinhal. Famílias, ante o pavor das notícias descontroladas que chegam, começam a abandonar a cidade.
Há no ar uma vibração de nervos. Há medo tomando conta de toda a cidade. Ninguém mais se sente com garantias.
O segredo sobre as operações, mantido durante todo o prefácio da guerra neste setor, rompe brutalmente quando dezesseis sucessivos tiros de canhão já não tão distantes, convencem de forma categórica sobre a dura realidade.
Amparo está ao alcance das forças ditatoriais, sobre as quais se contam coisas pavorosas.
Vão tropas pela lombada dos morros a fim de evitarem brechas no setor de Brumado. Ali se trava luta terrível.
Começa a ser ouvido nitidamente o medonho cacarejar das metralhadoras.
Esse cacarejar vara o dia todo vem tornar tétrica a noite que se aproxima. Tiros esparsos de canhão rebentam violentamente o negrume. A metralha continua na sua gargalhada infernal.
Eis quando chega outra nova. Novo recuo dos paulistas. Desta vez a guerra chegou a Pantaleão.
Se as orações fossem pagas nessa noite, os santos se rejubilariam.








