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Valquíria Gesqui Malagoli
Escritora e poetisa
E-mail: vmalagoli@uol.com.br
Site: http://www.valquiriamalagoli.com.br
Blog: vmalagoli.blog.uol.com.br
Foto Blog: http://reval.nafoto.net

O sabor de tudo

14/02/2017       0 comentários       Comente este artigo

“Minha mãe cozinhava exatamente:/ arroz, feijão-roxinho, molho de batatinhas./ Mas cantava.”

Este poema intitulado “Solar” da mineira Adélia Prado tem sabor especial.

Sabor de infância: dela, minha e de meus filhos.

Porque minha mãe, assim como a da autora, cantava também. Lembro-me até hoje de como a última sílaba de cada estrofe soava comprida... ecoando...

Não a ouço mais cantando com a mesma frequência.

Os motivos para tal são muitos, entre os quais sua indisposição gerada pelas dores, estas, por sua vez, consequência da idade, e o cansaço idem.

Há além disso o fato de, agora, eu ter meu próprio fogão para gerenciar, ruas e mais ruas, bairros, aliás, à distância das quatro bocas do dela.

Mas neste meu, é claro, eu canto igualmente. Perguntem aos meus filhos.

Adoro cozinhar! Simplesmente adoro! Tanto quanto escrever.

Talvez, fazendo-o, eu chegue o mais próximo possível da essência do verso, por meio, sobretudo, das inusitadas consonâncias entre cores e temperos tão diversos.

E, não por acaso, adoro cozinhar para meus pais. Gosto de instigá-los a conhecer cada gosto que cada coisa tem.

Criados em sítio, em tempos em que banha e sal serviam como base tanto para conservar quanto para temperar, eles teimam que sua adição seja não apenas necessária como fundamental, inclusive para que se agregue sabor aos pratos.

Ora! Depois de muita observação e até alguns sofrimentos na própria pele, aprendi a saborear e me deliciar mesmo com cenoura com gosto de cenoura, vagem com gosto de vagem e por aí afora.

A gente corre o risco de ser – e é – a chata da vez quase toda vez que vem à mesa o perigo do exagero de açúcar aqui e acolá. No entanto, até nisso – ser chata – é possível encontrar algum prazer.

A justificativa é invariavelmente a mesma para gregos e troianos: faz-se o que se faz por amor. Eu, por um lado, tirando os excedentes sal, açúcar, óleo etc; eles, pelo outro, enchendo as receitas exatamente dos mesmos.

Eu, porque quero poupá-los e a mim mesma dos malefícios disso; eles, porque querem nos ver felizes!

Será que a felicidade é assim tão doce?

Vamos combinar que, por mim, tudo bem, desde que a minha parte – e a daqueles a quem eu puder alimentar – seja regada a mel.

 

 

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