
Valquíria Gesqui Malagoli
Escritora e poetisa, presidente da Academia Feminina de Letras e Artes de Jundiaí
E-mail: vmalagoli@uol.com.br
Site: http://www.valquiriamalagoli.com.br
Blog: vmalagoli.blog.uol.com.br
Foto Blog: http://reval.nafoto.net
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O que se diz e o que se entende
05/02/2012 -
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Antes que me acusem de plagiar o título de uma crônica que
dá nome a um livro da patrona da Academia Feminina de Letras e Artes de
Jundiaí, digo...
Cecília Meireles, artista que se manteve atenta à realidade
do país e do mundo, contribuiu social, política e culturalmente, através da
prática de seus dons, sobretudo o literário, para a conscientização do povo
brasileiro.
Foi, portanto, com regozijo que adentrei o número dos que a
ouviram, passando os olhos por minha singela biblioteca doméstica, ao
folhear umas páginas, sem saber exatamente o que buscava.
O bom de não saber o que se procura é achar sempre isso,
neste caso, deveras saboroso: uma surpresa. Assim, entre outros manjares,
descobri um que, antes de devorar sozinha, permito-me o prazer de dividir
com vocês: “O que se diz e o que se entende”. Nessa prosa, a exímia poetisa
que, em vida, não se limitou à arte da versificação, mas também escreveu
livros infantis e importantes artigos sobre educação, discorre sobre
curiosos episódios...
Tendo solicitado ao balconista um objeto azul, a
protagonista ouve: “A senhora quer dizer... verde?”. No final desse primeiro
ato, após certa contrariedade, triunfa a compradora, pois, trazido ao balcão
o tal objeto, eis que aquele se exibe... azul!
Segunda cena. Cenário: loja de brinquedos. Ao pedir um
caleidoscópio que da rua vira na prateleira, dá-se outro fato interessante:
“A senhora quer dizer... tubo?”, diz, corrigindo-a, a vendedora. Bem, desta
vez, embora se tratasse realmente de um caleidoscópio, considerando o quanto
era sem graça, “bem merecia ser tratado como desprezível tubo.”.
Nova confusão ocorre quando a mulher quer comprar papel
impermeável, mas é informada pelo jovem atendente de sorriso profissional:
“A senhora quer dizer papel metálico?” “Não, eu quero dizer papel
impermeável mesmo.”.
Enquanto a leitura transcorria, não pude deixar (coisa
recorrente) de traçar uma relação entre o que se lê e o que se passa.
Engraçado – para não dizer triste – como, por mais que eu me esforce,
dificilmente sou compreendida.
Se faço versos metrificados é porque preciso me libertar dos
grilhões da forma. Se versejo livremente, perguntam-me: o que se passa?
Nisso, impossível não recordar uma frase sapientíssima em
destaque numa mensagem que recebi por e-mail: “a Poesia liberta – sentença
justa!!!”.
Ora, meus caros, meu pensamento é livre! Muito mais do que
este corpo é, afinal, Deus, quando me fez, não quis privilegiar-me com
asas... (caprichos de Deus!). E é, inclusive, por eu escrever
somente o que penso, e pensar somente com o coração que, às vezes, meus
rabiscos saem medidos, outras vezes não. Ah, e porque eu tento me exercitar,
a fim de encontrar, na esquina de alguma estrofe, quem sabe, a dita cuja
versatilidade que, coitada, por desconhecimento de causa, insistem em
confundir com indecisão. Aqui entre nós, penso até que só o meu coração
(indeciso???, voluntarioso???) será capaz, um dia, de, finalmente, dar
alguma utilidade às garatujas de meu pobre gênio criativo. Não posso
acusá-lo de não se esforçar...
Perdoem-me pelos queixumes. Prefiro, aqui, menos justificar
meus atos que desabafar sobre os seus ombros, digo, sob seus olhos que me
leem. Críticas são muito bem-vindas. O que dói é a incompreensão,
entretanto, ninguém passa pela vida sem cruzar com a dor de estar vivo.
Para os críticos especializados, que, embasados nas teorias,
analisam as obras literárias, segundo critérios vários de avaliação, seja a
estética, seja a ideologia, seja qual for, pode ser que minhas mensagens
toscas (em prosa ou verso) cheguem distorcidas e passem, merecidamente,
despercebidas...
Contudo, a vocês que, com sua visão (semelhante à minha) de
leitores comuns, para quem a literatura precisa acima de tudo, atingir o
mais invisível da existência, e aos demais que, talvez no nobre intuito de
testar o dom da paciência, têm proseado comigo... digo o que quero dizer:
obrigada!
Para finalizar, repito o gesto inicial de tomar emprestadas
palavras de Cecília: “o meu assombro é pensarem que eu sempre quero dizer
outra coisa. Não! Eu sempre quero dizer o que digo.”.
dá nome a um livro da patrona da Academia Feminina de Letras e Artes de
Jundiaí, digo...
Cecília Meireles, artista que se manteve atenta à realidade
do país e do mundo, contribuiu social, política e culturalmente, através da
prática de seus dons, sobretudo o literário, para a conscientização do povo
brasileiro.
Foi, portanto, com regozijo que adentrei o número dos que a
ouviram, passando os olhos por minha singela biblioteca doméstica, ao
folhear umas páginas, sem saber exatamente o que buscava.
O bom de não saber o que se procura é achar sempre isso,
neste caso, deveras saboroso: uma surpresa. Assim, entre outros manjares,
descobri um que, antes de devorar sozinha, permito-me o prazer de dividir
com vocês: “O que se diz e o que se entende”. Nessa prosa, a exímia poetisa
que, em vida, não se limitou à arte da versificação, mas também escreveu
livros infantis e importantes artigos sobre educação, discorre sobre
curiosos episódios...
Tendo solicitado ao balconista um objeto azul, a
protagonista ouve: “A senhora quer dizer... verde?”. No final desse primeiro
ato, após certa contrariedade, triunfa a compradora, pois, trazido ao balcão
o tal objeto, eis que aquele se exibe... azul!
Segunda cena. Cenário: loja de brinquedos. Ao pedir um
caleidoscópio que da rua vira na prateleira, dá-se outro fato interessante:
“A senhora quer dizer... tubo?”, diz, corrigindo-a, a vendedora. Bem, desta
vez, embora se tratasse realmente de um caleidoscópio, considerando o quanto
era sem graça, “bem merecia ser tratado como desprezível tubo.”.
Nova confusão ocorre quando a mulher quer comprar papel
impermeável, mas é informada pelo jovem atendente de sorriso profissional:
“A senhora quer dizer papel metálico?” “Não, eu quero dizer papel
impermeável mesmo.”.
Enquanto a leitura transcorria, não pude deixar (coisa
recorrente) de traçar uma relação entre o que se lê e o que se passa.
Engraçado – para não dizer triste – como, por mais que eu me esforce,
dificilmente sou compreendida.
Se faço versos metrificados é porque preciso me libertar dos
grilhões da forma. Se versejo livremente, perguntam-me: o que se passa?
Nisso, impossível não recordar uma frase sapientíssima em
destaque numa mensagem que recebi por e-mail: “a Poesia liberta – sentença
justa!!!”.
Ora, meus caros, meu pensamento é livre! Muito mais do que
este corpo é, afinal, Deus, quando me fez, não quis privilegiar-me com
asas... (caprichos de Deus!). E é, inclusive, por eu escrever
somente o que penso, e pensar somente com o coração que, às vezes, meus
rabiscos saem medidos, outras vezes não. Ah, e porque eu tento me exercitar,
a fim de encontrar, na esquina de alguma estrofe, quem sabe, a dita cuja
versatilidade que, coitada, por desconhecimento de causa, insistem em
confundir com indecisão. Aqui entre nós, penso até que só o meu coração
(indeciso???, voluntarioso???) será capaz, um dia, de, finalmente, dar
alguma utilidade às garatujas de meu pobre gênio criativo. Não posso
acusá-lo de não se esforçar...
Perdoem-me pelos queixumes. Prefiro, aqui, menos justificar
meus atos que desabafar sobre os seus ombros, digo, sob seus olhos que me
leem. Críticas são muito bem-vindas. O que dói é a incompreensão,
entretanto, ninguém passa pela vida sem cruzar com a dor de estar vivo.
Para os críticos especializados, que, embasados nas teorias,
analisam as obras literárias, segundo critérios vários de avaliação, seja a
estética, seja a ideologia, seja qual for, pode ser que minhas mensagens
toscas (em prosa ou verso) cheguem distorcidas e passem, merecidamente,
despercebidas...
Contudo, a vocês que, com sua visão (semelhante à minha) de
leitores comuns, para quem a literatura precisa acima de tudo, atingir o
mais invisível da existência, e aos demais que, talvez no nobre intuito de
testar o dom da paciência, têm proseado comigo... digo o que quero dizer:
obrigada!
Para finalizar, repito o gesto inicial de tomar emprestadas
palavras de Cecília: “o meu assombro é pensarem que eu sempre quero dizer
outra coisa. Não! Eu sempre quero dizer o que digo.”.
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