
Cristiane M. L. Beira
Mestre em Psicologia Escolar
Vice-presidente do SEPI - Serviço Espírita de Proteção à Infância
Vice-presidente do SEPI - Serviço Espírita de Proteção à Infância
Vergonha, de quê?!
11/12/2011 -
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Houve um tempo em que se usava a expressão vergonha na cara, de uma maneira bastante séria e significativa. Era quase uma ameaça que colocava em risco a honradez de uma pessoa, caso ela não se posicionasse adequadamente no que se referia à moralidade. Costumávamos dizer frases, como:
• Espero que você crie vergonha na cara e arranje um emprego;
• É melhor ter vergonha na cara e dizer a verdade;
• Eu jamais faria uma coisa dessas, porque tenho vergonha na cara.
Antes disso, numa época mais conservadora, outra expressão foi, igualmente, evidenciada: questão de honra. Nesse caso, não havia apenas a vergonha que inibia atitudes consideradas indecorosas, mas, também, a presença dos sentimentos de honradez, honestidade, brio, que estimulavam a escolha e a concretização de ações dignas. Naquele tempo, era comum utilizarmos expressões, como:
• Adotar tal conduta diante dessa situação, é questão de honra;
• Colaborar na concretização dessa atividade, é uma questão de honra;
• Esclarecer esse mal entendido para que fulano não seja prejudicado, é questão de honra.
Hoje, porém, a situação mudou um pouco. Parece que vergonha na cara não é mais tão imprescindível para se sentir valorizado pela atual sociedade e questão de honra, então... é coisa de museu! Mas, ainda que uma ou outra pessoa afirme que continua fazendo uso dessas relíquias, devemos admitir que um outro tipo de vergonha tem tido maior destaque: a vergonha de ser diferente, de não pertencer ao grupo que se elege como legal.
Daí, infelizmente, temos ouvido comentários, como:
• Tenho vergonha de que descubram que nunca tive relações sexuais, afinal de contas, já não sou mais criança;
• Tenho vergonha de dizer que não bebo alcoólicos, principalmente quando estou numa balada com amigos;
• Tenho vergonha de admitir que não gosto do gênero musical que está fazendo sucesso;
• Tenho vergonha de ir a uma festa com as roupas simples que possuo;
• Tenho vergonha de comentar sobre a profissão humilde de meu pai.
A vergonha da moda atual, parece não ser mais aquela sentida quando praticávamos um ato indigno ou quando não cumpríamos um dever moral. A vergonha contemporânea é a que surge quando não seguimos os passos da maioria (não importando quais sejam, nem para onde nos levem). É vergonhoso não fazermos parte da turma, mesmo que para isso comprometamos nossa própria vida.
O que aconteceu com esses valores – dignidade, honradez, honestidade – para hoje serem colocados em segundo plano, priorizando-se o sentimento de pertencer ou de ser aceito no grupo?
Deveríamos nos perguntar se vale realmente a pena tanto esforço para acompanharmos a turma, a ponto de abrimos mão de valores que definem nosso Self, justamente para seguirmos comportamentos bastante questionáveis, visto que a maioria das pessoas (o grupo, a turma) não parece objetivar melhores escolhas (pelo menos é o que afirmam as estatísticas).
Seria interessante retomarmos os conceitos esquecidos de vergonha na cara e questão de honra e avaliarmos as consequências (maravilhosas, segundo minha opinião) de sua maior utilização. Paralelamente a isso, poderíamos, também buscar respostas para a pergunta:
Por que nos envergonhamos quando nossas opiniões e escolhas são diferentes das adotadas pela maioria das pessoas?
• Espero que você crie vergonha na cara e arranje um emprego;
• É melhor ter vergonha na cara e dizer a verdade;
• Eu jamais faria uma coisa dessas, porque tenho vergonha na cara.
Antes disso, numa época mais conservadora, outra expressão foi, igualmente, evidenciada: questão de honra. Nesse caso, não havia apenas a vergonha que inibia atitudes consideradas indecorosas, mas, também, a presença dos sentimentos de honradez, honestidade, brio, que estimulavam a escolha e a concretização de ações dignas. Naquele tempo, era comum utilizarmos expressões, como:
• Adotar tal conduta diante dessa situação, é questão de honra;
• Colaborar na concretização dessa atividade, é uma questão de honra;
• Esclarecer esse mal entendido para que fulano não seja prejudicado, é questão de honra.
Hoje, porém, a situação mudou um pouco. Parece que vergonha na cara não é mais tão imprescindível para se sentir valorizado pela atual sociedade e questão de honra, então... é coisa de museu! Mas, ainda que uma ou outra pessoa afirme que continua fazendo uso dessas relíquias, devemos admitir que um outro tipo de vergonha tem tido maior destaque: a vergonha de ser diferente, de não pertencer ao grupo que se elege como legal.
Daí, infelizmente, temos ouvido comentários, como:
• Tenho vergonha de que descubram que nunca tive relações sexuais, afinal de contas, já não sou mais criança;
• Tenho vergonha de dizer que não bebo alcoólicos, principalmente quando estou numa balada com amigos;
• Tenho vergonha de admitir que não gosto do gênero musical que está fazendo sucesso;
• Tenho vergonha de ir a uma festa com as roupas simples que possuo;
• Tenho vergonha de comentar sobre a profissão humilde de meu pai.
A vergonha da moda atual, parece não ser mais aquela sentida quando praticávamos um ato indigno ou quando não cumpríamos um dever moral. A vergonha contemporânea é a que surge quando não seguimos os passos da maioria (não importando quais sejam, nem para onde nos levem). É vergonhoso não fazermos parte da turma, mesmo que para isso comprometamos nossa própria vida.
O que aconteceu com esses valores – dignidade, honradez, honestidade – para hoje serem colocados em segundo plano, priorizando-se o sentimento de pertencer ou de ser aceito no grupo?
Deveríamos nos perguntar se vale realmente a pena tanto esforço para acompanharmos a turma, a ponto de abrimos mão de valores que definem nosso Self, justamente para seguirmos comportamentos bastante questionáveis, visto que a maioria das pessoas (o grupo, a turma) não parece objetivar melhores escolhas (pelo menos é o que afirmam as estatísticas).
Seria interessante retomarmos os conceitos esquecidos de vergonha na cara e questão de honra e avaliarmos as consequências (maravilhosas, segundo minha opinião) de sua maior utilização. Paralelamente a isso, poderíamos, também buscar respostas para a pergunta:
Por que nos envergonhamos quando nossas opiniões e escolhas são diferentes das adotadas pela maioria das pessoas?
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