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Júlia F. Heimann
Pedagoga, escritora e poetisa, membro das Academias de Letras de Jundiaí, autora dos livros "Vendo e Escrevendo", "Catarse", "Criança aprende fácil", "Risos e Rimas", "História de Jundiaí" e "Lendas de Todos os Tempos".
A Pequenina Luz Azul
11/03/2010 -
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Certa manhã, o sultão El-Kamin mandou vir à sua presença o prefeito da cidade.
Disse-lhe o sultão: prefeito, levantando-me pela madrugada, cheguei à janela e vi, no meio da escuridão da cidade, uma luz azul, muito brilhante. Estou intrigado e gostaria de saber quem passou a noite em vigília.
O prefeito respondeu: Obedeço a Vossa Majestade, mas não será preciso procurar, aquela luz provinha do oratório da minha casa.
O sultão ficou curioso e ele, de cabeça baixa, continuou:
-Eu e minha família passamos a noite pedindo a Deus Onipotente pela preciosa saúde de Vossa Majestade.
- Obrigado meu bom amigo, disse-lhe, comovido, o sultão, vou recompensá-lo pela dedicação.
Mandou chamar o grão-vizir Moallin e ordenou que desse uma recompensa de mil dinares ao prefeito pela dedicação.
- O que ele fez para merecer tanto dinheiro? perguntou Moallin.
E o sultão contou a ação nobre do prefeito.
Então, o grão-vizir disse: O senhor está sendo enganado por esse homem indigno, essa luz era a lâmpada de azeite que ilumina minha sala de estudos. Fiquei até altas horas acordado cogitando sobre os graves problemas que Vossa Majestade deve resolver na audiência de hoje.
- Grande e esforçado amigo! falou radiante o sultão. Tereis, brevemente, uma boa recompensa!
Mandou chamar o general Muhidin e ordenou que desse ao grão-vizir honrarias de cheique e contou o motivo.
- E Vossa Majestade acreditou nas falsas palavras de Moallin? disse o general com visível admiração. Era minha intenção ocultar a verdade, disse, fingindo-se de modesto, o general. Agora, sou obrigado a revelá-la: a luz provinha da minha tenda de campanha! Havia boatos de que a cidade seria tomada de assalto e a vida de Vossa Majestade estava em perigo. Passei a noite acampado, zelando por vossa vida!
- Por Deus! Que valentia! Que heroísmo! Vou conceder-lhe o título de príncipe de Hedjaz e uma pensão de vinte mil dinares!
Depois de refletir, o sultão resolveu consultar seu velho amigo Ali-Effendi.
O velho amigo disse:
-Na minha fraca opinião, Vossa Majestade não deve acreditar nem no prefeito, nem no grão-vizir e nem no general. Creio que a luz provinha de um farol em El-Basin, que indica o caminho certo aos navegantes nas noites de tormenta.
O sultão alçou ao amigo os olhos surpresos.
- Era, então, a luz do farol?
-Verifique, hoje à noite, quem fala a verdade.
E assim, em altas horas, o sultão chegou à janela. Uma surpresa o aguardava. A notícia da recompensa se alastrara e toda a cidade estava iluminada pelas luzes das casas. Eram milhares de lanternas e lampiões.
Então, o crédulo sultão compreendeu que, em seu rico e poderoso país, para cada súdito honesto, havia um milhão de mentirosos e bajuladores.
Esta lenda, extraída do livro Maktub, de Malba Tahan, foi adaptada e inserida no livro Lendas de todos os tempos, de Júlia Fernandes Heimann.
Disse-lhe o sultão: prefeito, levantando-me pela madrugada, cheguei à janela e vi, no meio da escuridão da cidade, uma luz azul, muito brilhante. Estou intrigado e gostaria de saber quem passou a noite em vigília.
O prefeito respondeu: Obedeço a Vossa Majestade, mas não será preciso procurar, aquela luz provinha do oratório da minha casa.
O sultão ficou curioso e ele, de cabeça baixa, continuou:
-Eu e minha família passamos a noite pedindo a Deus Onipotente pela preciosa saúde de Vossa Majestade.
- Obrigado meu bom amigo, disse-lhe, comovido, o sultão, vou recompensá-lo pela dedicação.
Mandou chamar o grão-vizir Moallin e ordenou que desse uma recompensa de mil dinares ao prefeito pela dedicação.
- O que ele fez para merecer tanto dinheiro? perguntou Moallin.
E o sultão contou a ação nobre do prefeito.
Então, o grão-vizir disse: O senhor está sendo enganado por esse homem indigno, essa luz era a lâmpada de azeite que ilumina minha sala de estudos. Fiquei até altas horas acordado cogitando sobre os graves problemas que Vossa Majestade deve resolver na audiência de hoje.
- Grande e esforçado amigo! falou radiante o sultão. Tereis, brevemente, uma boa recompensa!
Mandou chamar o general Muhidin e ordenou que desse ao grão-vizir honrarias de cheique e contou o motivo.
- E Vossa Majestade acreditou nas falsas palavras de Moallin? disse o general com visível admiração. Era minha intenção ocultar a verdade, disse, fingindo-se de modesto, o general. Agora, sou obrigado a revelá-la: a luz provinha da minha tenda de campanha! Havia boatos de que a cidade seria tomada de assalto e a vida de Vossa Majestade estava em perigo. Passei a noite acampado, zelando por vossa vida!
- Por Deus! Que valentia! Que heroísmo! Vou conceder-lhe o título de príncipe de Hedjaz e uma pensão de vinte mil dinares!
Depois de refletir, o sultão resolveu consultar seu velho amigo Ali-Effendi.
O velho amigo disse:
-Na minha fraca opinião, Vossa Majestade não deve acreditar nem no prefeito, nem no grão-vizir e nem no general. Creio que a luz provinha de um farol em El-Basin, que indica o caminho certo aos navegantes nas noites de tormenta.
O sultão alçou ao amigo os olhos surpresos.
- Era, então, a luz do farol?
-Verifique, hoje à noite, quem fala a verdade.
E assim, em altas horas, o sultão chegou à janela. Uma surpresa o aguardava. A notícia da recompensa se alastrara e toda a cidade estava iluminada pelas luzes das casas. Eram milhares de lanternas e lampiões.
Então, o crédulo sultão compreendeu que, em seu rico e poderoso país, para cada súdito honesto, havia um milhão de mentirosos e bajuladores.
Esta lenda, extraída do livro Maktub, de Malba Tahan, foi adaptada e inserida no livro Lendas de todos os tempos, de Júlia Fernandes Heimann.
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